Um Guia para Vinhos Brasileiros
Todo conhecedor de vinhos deseja experiências únicas. Para aqueles que esperam encontrar os rótulos que irão surpreender o mundo hoje, os vinhos brasileiros são a melhor aposta. Garrafas que oferecem a leveza, frescor e espírito enérgico que são distintivos do Brasil, mas com qualidade testada por críticos e em competições internacionais.
Essa atitude animada e alegre é exemplificada especialmente pelos vinhos espumantes, um produto em que o país se destacou por mais de um século. Os vinhos tintos brasileiros se destacam como uma ilha de elegância e moderação alcoólica em meio a um mar de vinhos robustos da América do Sul. Essa identidade é um legado dos imigrantes europeus que trouxeram a viticultura para o Brasil e estabeleceram a região sul do país como referência no cultivo de uvas.
Os brasileiros, por sua vez, estão disseminando a cultura do vinho por todo o país, proporcionando oportunidades para todos os consumidores e despertando interesse global.
Deixe-se surpreender: Vinho Brasileiro
Clima, solo, topografia, técnica e pluralidade histórica conferem ao vinho, assim como aos locais, uma variedade de sotaques. Todas as regiões produtoras de vinho do país compartilham uma característica comum: qualidade. Começando pelo sul, todo apreciador de vinho será apresentado ao vinho brasileiro: Rio Grande do Sul, estado mais ao sul do Brasil, faz fronteira com Argentina e Uruguai e produz 90% do vinho do país. Os vinhos brasileiros se distinguem por aromas frutados elegantes e teor alcoólico moderado, que podem ser encontrados não apenas nos tintos, mas também nos premiados vinhos espumantes.

Um dos elementos que levaram ao desenvolvimento da primeira Indicação Geográfica do país em 2002 foi a qualidade excepcional do Merlot no país, especialmente na Serra Gaúcha. Essa uva é a única utilizada nas variedades tintas regionalmente permitidas, por isso os vinhos produzidos na Denominação de Origem (DO) Vale dos Vinhedos são em sua maioria baseados nela. No caso dos cortes, ela representa pelo menos 60% de cada garrafa. Os Merlots brasileiros são agradáveis, autênticos e surpreendentes, e merecem um lugar na adega de qualquer apreciador de vinho, seja ele iniciante ou experiente.
O vinho espumante se tornou uma parte importante da identidade vinícola do Brasil e agora é produzido em uma variedade de estilos em todo o país, do norte ao sul. A região da Serra Gaúcha, onde um imigrante italiano na atual cidade de Garibaldi criou o primeiro vinho espumante no início do século XIX, serviu como campo de testes para essa fascinação nacional.
As vinícolas que mesclam técnicas tradicionais com tecnologia de ponta produzem vinhos espumantes secos e meio secos. A combinação de diferentes períodos de maturação das uvas, variedades de uvas utilizadas, estilos de vinificação (branco, rosé e até tinto) e diversidade geográfica faz com que o Brasil possa oferecer diferentes perfis de produtos no segmento, que atualmente é o de consumo que mais cresce no mundo. O perfil de sabor vivo e delicioso dos Moscatéis brasileiros se destaca aqui. Pinot Noir, Chardonnay e Riesling Italiano são atualmente as uvas mais populares nos vinhos espumantes do país, formando efetivamente um conjunto exclusivamente brasileiro. Apesar de os benefícios de combinar as duas primeiras serem bem conhecidos devido à história francesa, a adição do Riesling Italiano (também conhecido como Welschriesling) adiciona suas próprias características, aumentando a acidez e frescor do vinho brasileiro.
Regiões Vinícolas do Brasil
A viticultura no Brasil está concentrada principalmente em seis regiões. Cada uma desenvolveu seu próprio estilo, focando em seus vinhos mais populares, ao mesmo tempo em que investe em novos cultivos, técnicas e produtos.
Serra Gaúcha
Quem deseja conhecer mais sobre o vinho brasileiro deve começar por aqui. É o berço da maioria das vinícolas tradicionais e o centro do enoturismo do país, respondendo por 80% da produção. Devido ao solo basáltico e à topografia montanhosa, sinônimos de mineralidade e excelente drenagem, os vinhos espumantes dessa região atingiram um alto nível de excelência. Com uma altitude média de 600 metros, ela proporciona uma adaptabilidade excepcional para a colheita antecipada de uvas como Chardonnay e Pinot Noir.
Tintos: Merlot, Pinot Noir, Tannat, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon
Branco: Chardonnay, Riesling Italiano, Moscato, Glera
Campos de Cima da Serra
O potencial para o cultivo de frutas nessa região é conhecido há muito tempo, pois é um grande produtor de pêssegos e maçãs. O cultivo de uvas começou há pouco mais de dez anos, mas rapidamente ganhou popularidade como resultado de investimentos corporativos em vinhedos e vinícolas. Sauvignon Blanc e Pinot Noir prosperam aqui, mas resultados notáveis com Viognier e Merlot demonstram que o compromisso das empresas locais está valendo a pena.
Branco: Sauvignon Blanc, Chardonnay, Viognier, Gewürztraminer
Tinto: Pinot Noir, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot
Serra do Sudeste
Nos anos 1980, quando as vinícolas da Serra Gaúcha perceberam que seus vinhedos eram pequenos demais para a promessa do vinho brasileiro, elas buscaram as áreas da Serra do Sudeste para expandir. A pesquisa resultou na descoberta do que hoje é reconhecido como uma das regiões vinícolas mais promissoras do país. Levando em consideração que a Serra Gaúcha ainda processa a maioria da produção, isso não enfraquece as características da região, que incluem aromas finos e nítidos nos vinhos brancos e vinhos tintos estruturados. A saúde geral das uvas é auxiliada pelo solo granítico de baixa fertilidade e encostas baixas que permitem que o vento sopre livremente.
Vinhos brancos: Chardonnay, Moscato, Gewürztraminer, Malvasia de Cândia
Vinhos tintos: Cabernet Franc, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir
Campanha
A posição da Campanha é comparável à de outros locais de produção conhecidos no Chile, Argentina, África do Sul e Austrália. Esse terroir foi identificado na década de 1970, quando empresas multinacionais do setor começaram a buscar e migrar para o Brasil para expandir seu mercado. Algumas dessas vinícolas ainda estão em operação hoje, colocando a região da Campanha em uma posição incomum: ela abriga uvas históricas ao mesmo tempo em que é o foco dos investimentos modernos no vinho brasileiro.
O solo arenoso com boa drenagem, mas baixa fertilidade, o contraste entre verões quentes e invernos frios e a pouca chuva durante o período de colheita estimulam o interesse das empresas. As encostas suaves permitem a mecanização e a boa adaptação do terroir às variedades internacionais.
Branco: Sauvignon Blanc, Chardonnay, Viognier, Gewürztraminer
Tinto: Pinot Noir, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot
Planalto Catarinense
Os vinhos provenientes de vinhedos nos climas mais rigorosos e altitudes mais elevadas do Brasil possuem sabores delicados e uma frescura jovial. Nessas condições, os vinhos brancos e espumantes recebem mais atenção, no entanto, ainda é possível encontrar excelentes vinhos tintos. A região é dividida em três zonas: São Joaquim, Caçador e Campos Novos, cada uma com solos rochosos e ácidos. As baixas temperaturas - as mais baixas de todo o Brasil, com nevascas regulares no inverno - retardam o ciclo de desenvolvimento da uva, e enquanto outras regiões estão encerrando suas colheitas, o Planalto Catarinense está apenas começando. Esse ciclo prolongado, combinado com uma exposição solar ideal, resulta em um amadurecimento ideal das frutas.
Branco: Sauvignon Blanc, Chardonnay
Tinto: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Syrah, Tempranillo
Vale do São Francisco
Essa região oferece aos amantes de vinho uma experiência única, oferecendo todas as quatro estações climáticas ao mesmo tempo.
A chave está na combinação do clima semiárido, que naturalmente induz as videiras a produzirem o ano todo, e um sistema de irrigação moderno que regula as diferentes fases da planta. O sistema é baseado na localização vantajosa da região, que inclui a irrigação a partir do Rio São Francisco. Como não há inverno, a videira hiberna devido à escassez de água. Como resultado, as vinícolas estabelecem cronogramas de colheita em seus vinhedos, com cada planta fornecendo duas colheitas por ano.
Entre as uvas tintas, a Syrah se adaptou excelentemente a esse sistema, assim como o Moscato, que concentra açúcar devido ao ambiente quente e produz vinhos deliciosos e espumantes (secos e doces).
Branco: Moscato, Chardonnay, Chenin Blanc
Tinto: Syrah, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
3000 Prêmios
Os produtores de vinho brasileiros agora recebem honrarias internacionais por vinhos tintos feitos a partir de Ca Berne Sauvignon, Merlot, Tannat e Pinot Noir, assim como vinhos brancos feitos a partir de Chardonnay, Moscato e Riesling Italiano (mais de 3.000 no total). Hoje, a indústria vinícola brasileira é composta por aproximadamente 1100 vinícolas de pequeno porte. Milhares de viticultores e enólogos entusiasmados e dedicados estão em busca de novos terroirs e estilos de vinho. A área total de vinhedos ocupada por tipos de mesa e técnicos está se aproximando de 83.000 hectares e continua a crescer gradualmente.
Vinícolas para visitar no Brasil
Vinícolas na Serra Gaúcha

Família Salton
Rodeada por jardins deslumbrantes e vegetação, a Vinícola Família Salton tem suas raízes profundamente enraizadas na encantadora região de Bento Gonçalves, no Vale das Rio de Antas. A vinícola produz vinhos premium e oferece uma ampla gama de instalações turísticas, como exposições no jardim e passarelas aéreas.

Vinícola Don Affonso
A Viti Vinícola Don Affonso está localizada na tradicional região produtora de vinhos do sul do Brasil chamada Serra Gaúcha, na cidade de Caxias do Sul, estado do Rio Grande do Sul. Com sede própria e instalações modernas, ela combina tradição histórica com as mais modernas tecnologias de cultivo e vinificação, sempre respeitando os princípios da natureza e da produção sustentável.

Lidio Carraro Boutique Winery
Movida pela ideia de compartilhar uma vida vibrante em cada garrafa e criar um vinho com integridade, a Lidio Carraro Wines nasceu. É uma vinícola boutique na propriedade da família de descendentes de imigrantes italianos dedicados à viticultura há mais de cinco gerações no Brasil. Seus métodos de vinificação consistem em intervenção mínima para maximizar a expressão natural da uva e a origem do terroir.










